+

Folder
digital

Notícia

 

26/08/2019
O que significa privatizar o Porto de Santos?

Produtividade portuária é resultante de uma rede logística que inclui também o modelo de Autoridade Portuária. Certamente, não é da privatização do Porto de Santos anunciada que os investidores querem ouvir.

Com a globalização da economia mundial, a competitividade econômica de uma nação está crescentemente ligada à sua competência de embarcar matéria prima, mercadorias intermediárias e produtos acabados.


O anúncio de privatizar a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), que administra o Porto de Santos, parece mera intenção de fomentar o mercado. Da forma como foi feito, sem um plano de negócio, faltam atributos para ser uma estratégia para dinamizar o mais importante complexo portuário do Hemisfério Sul. Ou seja, o que impulsionará o negócio portuário considerando as principais funções de um porto?

Como parte de uma cesta de nove estatais a serem privatizadas, a privatização da Autoridade Portuária do Porto de Santos foi oficialmente anunciada pelo ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, no dia 21 de agosto último. Sem explicar, todavia, como tal intenção vai concretizar o compromisso do candidato Jair Bolsonaro de “garantir a eficiência portuária e reduzir custos, além de atrair mais investimentos para atender à demanda crescente”.

Considerando que a privatização possa ser solução para dar dinâmica à economia, no caso da administração portuária ela foi implantada a partir da Lei 8.630/93, com a criação dos Operadores Portuários e, posteriormente, a Lei 12.815/2013 definiu o funcionamento dos Terminais de Uso Privado (TUPs). Atualmente, o problema dos portos do Brasil são suas decisões serem tomadas em Brasília, em vez de terem uma administração autônoma, alinhada com seus negócios e interesses.

Além do mais, é bizarro tentar justificar a qualidade de um programa intitulado de privatização de portos brasileiros com uma viagem de poucos dias à Austrália e Nova Zelândia, e não aos portos de Busan (Coreia do Sul) e Yokohama (Japão), cujos patamares são metas do governo Bolsonaro. Enquanto isso, os portos do Brasil ficam aguardando há muito providências essenciais como o Plano de Desenvolvimento e Zoneamento (PDZ) para melhorar a produtividade.

Sempre convém lembrar que a competitividade do produto brasileiro no comércio internacional traduz-se, principalmente, por reduzir tempos e custos entre a produção e o mercado.

Produtividade portuária é resultante de uma rede logística que inclui também o modelo de Autoridade Portuária. Certamente, não é da privatização do Porto de Santos anunciada que os investidores querem ouvir.

Fonte: Portogente

voltar