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12/08/2019
Artigo: O que acontece quando o governo tabela e congela preços?

Artigo Larry Carvalho

Como qualquer outra interferência estatal sob a iniciativa privada, os efeitos podem ser catastróficos. E, muitas vezes, prejudicar àqueles que o governo propõe a ajudar.


O que à primeira vista pode parecer uma solução, pode gerar uma série de consequências muito mais danosas à população.

Na década de 70, por exemplo, os Estados Unidos estabeleceram o preço máximo da gasolina, o que gerou um excesso de demanda, longas filas e escassez do produto.

No Brasil, durante o governo Sarney e o período da hiperinflação, a política de congelamento de preços foi adotada. Resultado? Os bens começaram a sumir das prateleiras.

Afinal, o que isso tem a ver com a cabotagem no Brasil?

Bom, como é de conhecimento público, em 2018 o Governo Temer instituiu uma tabela do frete com o objetivo de beneficiar os caminhoneiros.

Entretanto, ao contrário do que se planejava, a própria medida protetiva tem contribuído para a diversificação dos modais logísticos no Brasil e o aumento exponencial da Cabotagem em detrimento do transporte rodoviário.

De acordo com a consultoria Ilos, entre os meses de junho do ano passado e abril de 2019, o volume de cargas conteinerizadas em transporte de cabotagem cresceu 18,2%. Além disso, os estudos do Instituto mostram que a cabotagem tem potencial para quintuplicar esse volume.

A imposição de preços mínimos encareceu o transporte rodoviário, favorecendo alternativas que se tornaram mais baratas — ainda que de forma artificial pela distorção criada no transporte rodoviário pelo Governo.

A cabotagem entra nesse cenário como uma forma das empresas manterem a competitividade de seus produtos e permanecerem economicamente viáveis.

Já que com a tabela, a lei da oferta e da procura foi “revogada”, o preço do transporte rodoviário se tornou fixo e inegociável, desarranjando todo o mercado.

E, assim, mais uma vez o governo cria uma jabuticaba na economia através de intervenções e distorções do livre mercado.

Quem ganha com isso? A Cabotagem!

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