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17/06/2019
Problemas na Argentina impactam portos do Brasil

Dentro de uma operação logística, é comum que um problema verificado em um dos elos impacte outros componentes da corrente. Esse caso está sendo verificado nas últimas semanas em relação aos portos brasileiros devido a atrasos que navios estão sofrendo na Argentina, em decorrência de questões como greves e limitações de infraestrutura. Muitas embarcações que operam nos dois países estão cancelando escalas que fariam no Brasil, por se retardarem na nação vizinha.

O coordenador da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP), Wilen Manteli, atesta que as dificuldades na Argentina estão afetando a operação portuária no Brasil. O dirigente ressalta que os reflexos são mais sentidos nos portos do Sul, em Rio Grande, Paranaguá (no Paraná) e nos complexos catarinenses, por causa da proximidade. Manteli argumenta que a situação não é mais evidente, pois muitas empresas não gostam de abordar esse tipo de problemas. Apesar da ligação terrestre entre Brasil e Argentina, o coordenador da ABTP enfatiza que o transporte marítimo entre essas nações é intenso, em razão dos menores custos logísticos oportunizados por esse modal. Além disso, como as bitolas ferroviárias do Brasil e da Argentina são distintas, há mais esse obstáculo para a movimentação de cargas entre os dois países.

 

"Toda vez que tem uma greve na Argentina a gente corre risco de cancelamento (de escalas)", afirma o diretor-presidente do Terminal de Contêineres (Tecon) Rio Grande, Paulo Bertinetti. O executivo explica que embarcações que fazem a costa brasileira também passam por Buenos Aires. Bertinetti prefere não divulgar números, mas admite que a situação na Argentina tem refletido nos portos brasileiros, em particular no do Rio Grande devido a sua proximidade com aquele país. "Isso atrapalha a nossa vida, pois se acumulam contêineres nos pátios e os exportadores não conseguem atender aos prazos, cancelamento de escala é complicado", frisa. O diretor-presidente do Tecon chama a atenção, em especial, para as cargas frigorificadas que ficam esperando pelos navios, gerando custos adicionais.

O diretor da Datamar (consultoria especializada na análise de comércio exterior via modal marítimo), Andrew Lorimer, cita que um dos aspectos críticos na questão com a Argentina são as cargas de transbordo (mercadorias que são transferidas de um navio para o terminal e depois partem para outro destino). De acordo com o especialista, a crise econômica da Argentina tem proporcionado uma queda da movimentação de cargas naquele país. Levantamento da Datamar registra redução de 21,9% em Puerto Nuevo (porto de Buenos Aires), com a movimentação caindo de 522 mil TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés) em 2017, para 408 mil TEUs no ano passado.

Lorimer aponta também as limitações da infraestrutura portuária da Argentina, que apresenta complicações para receber navios de maior porte. A combinação de calado e canal de acesso estreito dificultaria o acesso de navios de grande porte, fatores que afetam a economia de escala. O canal de acesso tem 100 metros de largura e os novos navios têm, em média, 50 metros de comprimento, impedindo a passagem de dois ao mesmo tempo. Outro fator que tende a atrapalhar a operação de embarcações da nova geração na nação vizinha é a constante sedimentação do Rio da Prata, onde desaguam os rios Paraná e Uruguai, o que exige diversas dragagens.

 

Fonte: Jornal do Comércio

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