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05/06/2019
Intermodalidade é alternativa para transporte rodoviário no País

Diante das dificuldades enfrentadas para enviar e receber cargas pelo transporte rodoviário, outras possibilidades ganham cada vez mais espaço no País. Entre elas, destaca-se o envio de cargas pelo mar entre regiões brasileiras (cabotagem), que já é uma realidade para alguns negócios.

Mas não se trata somente de optar por um modal ou por outro, e sim de trabalhar a intermodalidade de acordo com as necessidades de cada negócio, segundo aponta Carlos Alberto Alves, gerente da Tecer Terminais Portuários, empresa especializada em soluções logísticas no Porto do Pecém. Ele revela que a demanda por projetos que contemplem outros modais além do rodoviário cresceu cerca de 200%.

"Existe um grande aumento na quantidade de solicitações de projetos no último ano. Hoje, o Brasil está buscando possibilidades logísticas com o objetivo de melhorar o custo", explica Alves.

Um projeto de solução logística que substitua o modal rodoviário por uma integração entre rodoviário e marítimo pode resultar, por exemplo, em uma redução de 15% a 20% no custo de transporte da carga, conforme avaliação do gerente da Tecer. "A alternativa demanda uma administração mais robusta. É preciso trocar, muitas vezes, um fornecedor por 11 fornecedores, mas ainda assim existe essa vantagem financeira".

Ele destaca que as condições das vias, sobretudo no Ceará, é outro ponto crítico que favorece um pensamento menos tradicional, o que abre espaço para essas e outras possibilidades. "É interessante agregar o modal rodoviário ao marítimo. O transporte de cargas por rodovias não faz sentido em distâncias acima de 500 quilômetros", explica.

Mas o custo menor para transportar as cargas não é a única vantagem de priorizar o modal marítimo. Além disso, o gerente da Tecer Terminais Portuários avalia que há um ganho ambiental e de segurança patrimonial. "A intermodalidade traz esse ganho para o meio ambiente e proporciona um transporte da carga com mais segurança", explica.

Demanda crescente

Esses, entre outros componentes, alavancam a demanda percebida pela Log-in, empresa de soluções logísticas por meio de cabotagem complementada por ponta rodoviária. Elizângela Franco, gerente de negociações comerciais da empresa no Ceará e parte do Rio Grande do Norte, avalia que a procura por esses serviços saltou cerca de 30% no último ano. "A gente percebe um avanço significativo, mas há ainda muito espaço para crescer", aponta, acrescentando que o Estado é referência no Brasil em envio de cargas por via marítima para outras localidades do País.

"Hoje, a nossa empresa já movimenta, no Porto do Pecém, algo perto do que movimentamos no Porto de Santos", aponta Elizângela. "E o Porto de Santos conta com quatro outros serviços (rotas), enquanto aqui temos duas". Entre os principais produtos transportados estão alimentos, insumos para a indústria têxtil e farmacêuticos.

No ano passado, o Porto do Pecém, que desde outubro concentra as operações de cabotagem no Ceará, apresentou um crescimento de 70% no volume de cargas transportadas entre portos brasileiros na comparação com o ano de 2017. Foram 220.422 contêi-neres de 20 pés. Ao todo, foram 95.120 embarcados e 125.302 contêineres desembarcados, segundo informações do Porto do Pecém.

Modal aéreo

Outra opção que vem chamando a atenção das empresas é o transporte aéreo de cargas. De acordo com o diretor de logística da Panalpina Brasil, Marcelo Tonet, a utilização de aeronaves tem apresentado um crescimento mais consistente por ser uma opção rápida e segura. "Em tempos onde a alta sinistralidade é notória, essa solução se mostra cada vez mais oportuna".

Na avaliação do grupo, que trabalha com os modais aéreo, marítimo e rodoviário, a greve dos caminhoneiros ocorrida em maio do ano passado acabou por alavancar os volumes transportados em outros modais.

Incentivos

A Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI) do Senado começou a discutir na semana passada o Projeto de Lei 423/2014, de autoria da senadora Kátia Abreu (PDT-TO), que visa incentivar a navegação de cabotagem com a isenção de Imposto de Importação, PIS-Pasep e Cofins para a importação de embarcações, máquinas para leme e hélices de embarcações e suas pás.

De acordo com a senadora, a dificuldade encontrada pelos armadores brasileiros para adquirir embarcações estrangeiras é um dos principais entraves para o desenvolvimento da atividade no País. O texto, solicitado para vista coletiva, seguirá para decisão final da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), caso seja aprovado pela CI do Senado.

Fonte: Diário do Nordeste

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