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14/10/2020
Porto do Itaqui: ampliação permite mais comércio com árabes

Iniciativas de modernização do Porto do Itaqui, no estado do Maranhão, vão propiciar o aumento das trocas comerciais via porto com os países árabes. Estão sendo feitos investimentos na área de fertilizantes, de contêineres refrigerados e há estrutura pronta para a exportação de gado vivo. O presidente da Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap), Ted Lago (foto acima), falou à ANBA sobre o assunto. A Emap é responsável por administrar o Porto do Itaqui.

Lago descreve o porto como imbatível na competitividade para o comércio com a África em função da localização combinada com possibilidades de mercado, fornecimento e estrutura. “Com a estrutura e o perfil da região vamos ser o mais competitivo para a África”, afirmou ele. Os países árabes Egito, Marrocos, Tunísia, Mauritânia, Sudão, Argélia, Líbia, Somália e Djibuti estão localizados no Norte da África. O porto está em região produtora de grãos e atende área com cerca de 50 milhões de consumidores.

O Porto do Itaqui está ampliando seu terminal de fertilizantes, produto que o Brasil importa de países árabes, e vai expandir a possibilidade de receber contêineres refrigerados, o que permite a exportação via porto de carnes, produto do qual o Brasil é um dos mais importantes fornecedores aos países árabes. Outro produto comprado pelo mercado árabe dos brasileiros é o gado vivo, para cujo embarque o porto maranhense já está preparado, de acordo com Ted Lago.

“Estamos concluindo agora em novembro o mais moderno terminal de fertilizantes da América Latina”, disse Lago para a reportagem da ANBA. Atualmente, a maior parte do fertilizante importado pelo Brasil entra no País via os portos de Paranaguá, no estado do Paraná, e Santos, no estado de São Paulo. As lideranças do Maranhão, porém, têm como meta mudar essa realidade.

A capacidade do Porto do Itaqui de receber fertilizantes é de 2 milhões de toneladas, o que vai passar a 3,5 milhões de toneladas com a ampliação. A localização torna o porto competitivo para abastecer com fertilizantes lavouras de estados do Centro-Oeste e  Norte do Brasil. Lago acredita que o fertilizante que chega via porto é competitivo no atendimento do Norte de Goiás para cima.

Com investimentos sendo feitos em ferrovias na região, a partir do ano que vem o fertilizante também terá a possibilidade de ser transportado via trem até a as regiões produtoras de grãos, o que vai facilitar ainda mais o escoamento. Até essa realidade chegar, o que deve ocorrer em julho do próximo ano, porém, o fertilizante pode ser transportado via rodovias, como atualmente.

Lago afirma que o grande crescimento hoje na produção de grãos do Brasil está se dando no Arco Norte, região que inclui o Amazonas, Amapá, Maranhão, Roraima e Pará. O Maranhão pela primeira vez passará de 1 milhão de hectares de soja plantada na safra 2020/2021. Lago conta que há uma tendência no Arco Norte de que o gado de área degradada vá para o sistema intensivo, com consumo de ração, abrindo espaço para a produção de grãos de alta eficiência nessas terras, que vão precisar de fertilizantes.

Contêineres refrigerados

O Porto do Itaqui fez há cerca de três anos o investimento em uma estrutura com 50 tomadas para receber contêineres refrigerados, mas está a caminho a ampliação do sistema elétrico que contemplará um total de 450 tomadas. “Quando estiver concluída essa obra vamos estar definitivamente entre os principais portos para contêiner refrigerado e daí muda completamente a escala”, diz Lago.

Atualmente já é possível, com geradores, ter 150 tomadas para contêineres refrigerados no porto. O investimento para as 450 deve estar concluído em 12 meses. A meta é transformar Itaqui em um escoador de carne processada de exportação produzida em estados como Maranhão ou Tocantins. “Muito mais do que exportador de grãos, queremos ser um porto de exportação de proteína, seja ela vegetal, no caso dos grãos, ou animal, a carne processada”, afirma o presidente do porto.

Na importação, o Porto do Itaqui recebe principalmente combustíveis e fertilizantes. O combustível chega da América do Norte e o adubo de regiões como Leste Europeu, Marrocos e Emirados. Na exportação, o embarque principal é de grãos, o que tem a ver com o perfil produtor da região onde o porto fica. O destino é principalmente a Ásia, mas também há vendas de milho para países árabes como Egito e Marrocos, e a alguns europeus. O porto também embarca celulose para a América do Norte.

Pelo Porto do Itaqui são enviados grãos produzidos na região Norte e parte do Centro-Oeste. “Sete estados brasileiros movimentam cargas conosco”, diz o presidente do porto. Os grãos escoados via Itaqui são principalmente a soja e o milho. De março a setembro, pico da safra de soja, saem de Itaqui em navios quase 1 milhão de toneladas de grãos por mês.

O Porto do Itaqui também é o terceiro do Brasil em movimentação de combustíveis. Ele tem capacidade para receber navios de grande porte com combustíveis, em função da profundidade. Parte desse combustível, inclusive, sofre transbordo para navios menores para transporte até outros portos do Brasil. “É um tripé, grãos, fertilizantes e combustíveis sempre andam juntos porque o agronegócio também demanda muito combustível, tanto para a plantação quanto para a colheita”, diz Lago.

Com os árabes na Câmara Árabe

O Porto do Itaqui é associado da Câmara de Comércio Árabe Brasileira e será um dos expositores no Fórum Econômico Brasil-Países Árabes, que a Câmara Árabe promove de forma virtual de 19 a 22 de outubro. O porto vem se aproximando da instituição nos últimos anos pois quer ter maior participação no recebimento de produtos árabes e no embarque de produtos do Brasil para a região.

Lago acredita que a Câmara Árabe poderá auxiliar o porto justamente a ligar os pontos, o da demanda e da produção, e afirma que o networking feito pela Câmara é importante para a aproximação com os árabes. No fórum, o porto vai mostrar sua estrutura. “Vamos reforçar a importância da região não só como exportadora, mas como compradora, além dos fertilizantes, de outros produtos que os árabes podem oferecer. Temos aqui mercado de 50 milhões de pessoas na área de influência do porto”, complementa o presidente.

O Porto do Itaqui também já teve várias iniciativas para aproximação diretamente com os países árabes, em viagens ou contato com a diplomacia do Egito, Marrocos e Emirados Árabes Unidos. Ted Lago conta que o Maranhão tem forte presença de imigrantes árabes. “É uma relação muito próxima, aqui há várias famílias: Abdallah, Maluf, Murad. Faz parte da história do Maranhão”, relata.

Fonte: Anba 

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