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21/09/2020
Novos cultivos surgem no agronegócio do Ceará

Com a primeira colheita neste mês de setembro, o trigo demonstrou ser maleável às condições climáticas e de solo do Ceará. A commodity agrícola é a grande aposta para o agronegócio local, mas não está sozinho. Outras dez novas culturas são testadas no Estado. Da pitaya, amora preta ao algodão. Os projetos se concentram nas regiões da Ibiapaba e Baixo Jaguaribe, mas também despontam no Cariri e Sertão Central.

No País, o cereal já é cultivado no Sul e Centro-Oeste, mas ainda não atende à demanda brasileira e grande parte é importada. Segundo a Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), neste ano, a importação deverá ser recorde de 7,3 milhões de toneladas. Portanto, a manufatura regional traria mais equilíbrio ao mercado.

O sucesso da lavoura em solo cearense surpreendeu devido ao grão, típico de regiões mais frias, ter se adaptado, e pela alta produtividade. O chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Agroindústria Tropical, Gustavo Saavedra, estima que, em cinco anos, já será possível a produção em grande quantidade. E acrescenta que há inúmeras outras culturas em diferentes fases de experimentação no Estado.

De acordo com ele, a principal questão é respeitar o bioma e considerar que existe um gargalo hídrico. Nesse contexto, deve-se levar em conta a grande eficiência na gestão da água ou o não uso do recurso hídrico na irrigação, somado à tecnologia, para definição dos planos.

Culturas que estão sendo estudadas no Estado
Dentre as que estão sendo estudadas, estão o algodão, cuja lavoura pode aproveitar a chuva, e a pitaya, que tem baixo consumo. Além das frutas de climas temperados, como pera, caqui, amora preta e o mirtilo (ou blueberry). Até maçã, que precisa do frio durante o processo, tem rendido frutos positivos com técnicas de manejo.

São produtos agrícolas que estão sendo cultivados aqui e bem adaptados, por meio do uso de diferentes tecnologias. Para que se concretizem em larga escala, no entanto, devem passar, além da fases de experimentos técnicos, pela avaliação de desenho do mercado. A depender da cultura, a consolidação deve ocorrer entre três, cinco e seis anos.

"A próxima região a dar um salto em termos de produção agrícola vai ser o Nordeste. Em especial, em razão da entrada do Semiárido. O cerrado nordestino já está entrando, temos o baiano, do Maranhão e Piauí. São grandes produtores de grãos, mas o próprio Semiárido vai descobrir suas aptidões", diz Gustavo. Também estão no radar projetos de longo prazo como açaí, café e árvores, como eucaliptos e mognos. Nesses casos, o período de maturação estimado é de cerca de dez anos.

Menor dependência de importações
O professor do Departamento de Economia Agrícola e pós-graduação em Economia Rural, da Universidade Federal do Ceará (UFC), Francisco José Silva Tabosa, analisa que o trigo será de vital importância para reduzir a dependência das importações no Estado e que as outras culturas são uma aposta interessante para ter a variedade para além das de subsistência, como milho, feijão e mandioca, ampliando assim o mercado.

"No entanto, o Semiárido representa de 80% a 90% do nosso território. O único perene é o Rio Jaguaribe, temos também os perímetro irrigados na Varjota, Acaraú e outros. Mas não há muito além desses locais, sendo limitada a abrangência dos projetos", pondera.

Cajueiro-anão traz mais competitividade
Além das novos produtos, antigas culturas como o caju se renovam graças à modernização e ganham mais competitividade. Um experimento com cultivo superadensado do chamado cajueiro-anão chegou a obter, em dois anos, o triplo da produtividade média alcançada pela variedade no Ceará, em 2019.

A expectativa dos pesquisadores é chegar a no mínimo 3 toneladas castanha e 27 toneladas de pedúnculo por hectare/ano no quinto ano de implantação, quando as plantas estabilizam sua produção.

A pesquisa é conduzida pela Embrapa Agroindústria Tropical (CE), Secretaria do Desenvolvimento Econômico e Trabalho do Estado do Ceará (Sedet) e Fazenda Frutacor, no Distrito de Irrigação Tabuleiro de Russas, a 160 km de Fortaleza. Foram testadas seis diferentes clonagens de plantas, com três tipos de espaçamento. O estudo avalia a melhor condição de superadensamento, com fertirrigação, para produzir caju de mesa - cultivo bem menos exigente em água que os plantios tradicionais da região, como banana e goiaba.

Fonte: O Povo 

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