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31/07/2020
O que mudou em um mês de reabertura econômica no Ceará

No próximo dia 1º completa um mês do início do processo de reabertura econômica no Ceará. Do plano traçado inicialmente pelo Governo do Estado, 95% dos setores já tiveram atividades liberadas na Capital. Para uma recuperação do nível de atividade econômica aos patamares anteriores da pandemia ainda há um longo caminho pela frente, mas alguns segmentos industriais, construção civil e exportações estão avançando mais rápido.

De acordo com o gerente do Observatório da Indústria da Federação das Indústria do Ceará (Fiec), Guilherme Muchale, em termos de retorno das atividades, houve um bom avanço, sobretudo, naquelas indústrias mais concentradas na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), como os setores de metalmecânico, confecções, alimentos, construção civil e aquelas que têm sua produção voltada ao comércio exterior.

"Estas já estão funcionando 100%, como antes. O que ainda não retornou em sua totalidade é o setor calçadista. Por ser mais interiorizado, ainda tem uma queda na continuidade da produção. Mas, de modo geral, a indústria já está funcionando plenamente. A produção está melhor do que se tinha em abril e maio, mas, obviamente, ainda sem crescimento ao que se tinha no ano passado. Acredito que uma retomada mais sólida virá a partir do 4º trimestre", diz.

No comércio e serviços, há uma maior oscilação no fluxo de retomada. Alguns segmentos relacionados a bens duráveis, como material de construção e veículos, em que já havia uma demanda reprimida antes da pandemia, estão voltando mais rápido, explica o presidente do Sistema Fecomércio-CE, Maurício Filizolla, apesar do ambiente de incertezas. "É um retorno pequeno, gradativo, mas está acontecendo. A gente também observa uma retomada maior naqueles segmentos onde teve uma mudança maior na forma de consumir os produtos". Porém, há outros que terão mais dificuldades. Não apenas por conta de eventuais restrições para execução de atividades, mas por queda na demanda.

O economista Alex Araújo explica que, no dia a dia, embora já seja perceptível um movimento maior nas ruas e a maior parte das empresas retomando as atividades, não necessariamente o consumo voltou. Seja porque uma parcela considerável da população segue em isolamento ou alterou hábitos de consumo por medo de contaminação pela Covid-19, ou seja pela perda de renda.

"Houve um estrago muito grande na renda das famílias e há muitas incertezas em relação à questão do emprego, o que faz com que o consumidor se retraia. Então, mesmo em alguns lugares que já estão abertos, funcionando, como os restaurantes, o retorno não é como o esperado e vai levar um bom tempo".

O desemprego e a dificuldade de acesso ao crédito seguem pressionando. Ainda não é possível mensurar o impacto que o período de isolamento produziu no caixa das empresas ou por quanto tempo mais seguirá afetando a operação. Mas, por enquanto, os dados da Junta Comercial do Ceará (Jucec) apontam para um cenário ainda favorável no Estado.

De março, quando começou o isolamento, até o último dia 27, foram registrados 30,3 mil pedidos de abertura de empresas, ante 9,5 mil de baixa no Ceará. Em igual período do ano passado, os números foram, respectivamente, de 33,1 mil aberturas e 11,7 mil fechamentos.

Ou seja, apesar de ter tido uma retração de 8,4% no movimento de abertura de empresas em relação a 2019, a quantidade de encerramentos definitivos das atividades no Estado chega a ser 18,54% menor ao que se tinha no momento anterior ao da pandemia.

O secretário do Desenvolvimento Econômico e Trabalho do Ceará, Maia Júnior, explica que este movimento de abertura de empresas é puxado sobretudo pelos pequenos negócios, que são quem também respondem por grande parte dos empregos formais no Estado. "O impacto do coronavírus na economia é grave, mas a gente vem monitorando de perto estes indicadores, procurando alternativas para evitar o fechamento de empresas".

Ele diz que medidas emergenciais são direcionadas tanto para mitigar o impacto sobre a renda dos mais pobres, como para garantir a sobrevivência das empresas até a retomada plena das atividades, a exemplo do pacote de 23 medidas tributárias, lançado em junho, que incluiu ações como refinanciamento tributário e postergação de impostos.

Também está sendo desenhado um plano para reativar a economia após a conclusão de todas as fases de reabertura no Estado. "Uma primeira versão já está pronta. Vamos apresentar para o governador (Camilo Santana), depois vamos sentar com os setores, alinhar, para ver como podemos acelerar esta retomada da economia".

“O impacto do coronavírus na economia é grave, mas a gente vem monitorando de perto estes indicadores, procurando alternativas para evitar o fechamento de empresas” Secretário do Desenvolvimento Econômico e Trabalho do Ceará - Maia Júnior.

Fonte: O Povo

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