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27/07/2020
Tripulantes ucranianos deixam o Srakane

A saga dos tripulantes ucranianos do navio panamenho <em>Srakane</em>&nbsp;deve terminar neste domingo (26). A embarcação atracaria no Porto de São Sebastião, no Litoral Norte do Estado, nesta madrugada. E os 16 marítimos – que passaram meses em alto mar com escassez de água e comida e salários atrasados pela armadora – tinham seu desembarque programado para esta madrugada, entre 3 e 5 horas, segundo autoridades brasileiras.

Em seguida, os profissionais seriam levados ao Aeroporto de Guarulhos, de onde partiriam para o país de origem.

Os tripulantes não terão de pagar por hospedagem, viagem e demais custos. Esses gastos serão assumidos pela empresa santista CBA Traiding – Exportação de Produtos Agrícolas, que não tinha qualquer vínculo com o cargueiro, mas decidiu arcar com as despesas, que deve chegar a US$ 300 mil (cerca de R$ 1,6 milhão), a fim de garantir o retorno da equipe para casa.

Esse acordo foi negociado com autoridades brasileiras que acompanham o caso dos tripulantes.

Ainda nesta manhã, tripulantes brasileiros devem embarcar no <em>Srakane</em>&nbsp;e assumir suas operações.

O caso dos ucranianos foi destacado em reportagem de <em>A Tribuna</em>&nbsp;na edição do último dia 19.

A solução para os tripulantes ucranianos começou a ser negociada no último dia 28, quando a CBA Trading, que precisava afretar um navio, cogitou utilizar o Srakane, que já estava no Litoral Norte.

Nessa data, representantes da empresa foram a bordo e se depararam com a situação dos marítimos. Ainda obtiveram a informação de que o armador do navio não conseguiu arcar com os custos da operação, o que acarretou em problemas de documentação.

Os executivos da CBA ainda descobriram que o navio havia tentado escalar em países europeus e na África. Mas, devido à pandemia da covid-19, sua entrada foi negada. O cargueiro acabou ficando sem combustível e foi trazido ao Brasil.

Em Salvador, foi permitido reabastecer, mas não foi autorizada a atracação. Diante disso, o Srakane rumou para a costa de São Sebastião, onde permaneceu até agora.

A CBA assumiu as custas de retornar os ucranianos para casa e ainda quitar seus salários atrasados, em uma negociação que foi acompanhada pela Receita Federal, pelo Ministério Público, pela Marinha do Brasil e pela Companhia Docas de São Sebastião (empresa do Governo do Estado), entre outras autoridades.

Em entrevista publicada na edição de <em>A Tribuna</em>&nbsp;do último dia 19, a empresa Ocean Wide, responsável pelo cargueiro, alegou que a falta de cargas nos portos, a crise agravada pela pandemia da covid-19 e as constantes manutenções da embarcação no último ano provocaram o atraso de pagamento aos funcionários. A escala no Porto de São Sebastião, inclusive, teria o objetivo de viabilizar o reparo de equipamentos do cargueiro.

A Ocean Wide tinha ficado responsável pela contratação de novos tripulantes para substituir aqueles que desejaram retornar aos seus países de origem. A firma seria autuada pelas irregularidades encontradas.

Fonte: A Tribuna

 

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