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25/06/2020
Nordeste será a nova fronteira do agro

Especialista em agropecuária, o agrônomo Xico Graziano, que já presidiu o Incra e é hoje um dos mais requisitados conferencistas do País e um apaixonado pelo que faz o setor primário da economia brasileira, deixou felizes os 32 empresários cearenses que, por vídeoconferência, o ouviram falar sobre o tema durante quase duas horas na noite de terça-feira, 23. Atentem para o que ele anunciou: a nova fronteira do agronegócio brasileiro será a região Nordeste, cujo semiárido tem solo mais rico do que o dos desertos da Austrália e da Tunísia, onde a produção agropecuária avança, graças a melhor tecnologia. E isso acontecerá sem que seja preciso desmatar um só hectare.

De acordo com Graziano, a primeira fronteira agrícola do Brasil foi o Centro-Oeste; depois, o Oeste da Bahia; em seguida, veio a região do Matopiba (acrônimo formado pelas iniciais do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia); agora, será a vez do Nordeste Setentrional, onde estão Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará.

Ele chamou atenção para alguns fatores que sustentam seu prognóstico, o primeiro dos quais é a existência de energias renováveis (eólica e solar, principalmente), cujos custos, pelo avanço tecnológico, estão ficando mais baratos do que os da energia hidráulica. A oferta de água é condição "sine qua non" - disse Xico Graziano, mas este não é nem será problema, pois os estados nordestinos têm ao seu lado o Oceano Atlântico. "É só dessalinizar as águas do mar, e para isso também há tecnologia disponível. Aliás, Fortaleza já deveria estar sendo abastecida pela água dessalinizada do Atlântico", disse ele, dando pancadinhas na mesa e pondo ênfase em suas palavras. Mais adiante, incentivado pelos polegares erguidos dos empresários que lotavam o auditório virtual, Graziano previu o seguinte para pouco tempo: "Vocês, cearenses, serão também, exportadores de mel, porque o mundo quer mel, assim como o Brasil todo será exportador de leite e queijo, porque o mercado consumidor mundial está a exigir mais lácteos". Os pecuaristas que acompanharam a "live" saíram dela sorrindo. Um deles resumiu sua opinião: "Será assim mesmo. Bastará o governo ajudar".

Fonte: Diário do Nordeste

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